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Publicado em 30 de May de 2006 às 21:38

A experiência de ser assaltado

O sobrenome do cyber café onde trabalho é problema. A cada dia, aparece no mínimo um problema numa placa, no Windows, num HD… Nessas duas últimas semanas a coisa engrossou e o último problema foi ontem no HD do servidor. Ficamos, meu amigo e eu, aqui até madrugada diagnosticando, formatando e reinstalando. Passava das 3:00 h da manhã e chovia, até pensei em esperar passar, mas o cansaço era insuportável, os olhos ardiam e a cabeça doía. O que mais queria era banho e cama.

No shopping onde fica o cyber há um hotel que é praticamente o prédio inteiro e é onde fica a saída que permanece aberta 24h. O prédio é bem em frente � praça central da minha cidade. Quando atravessávamos a diagonal da mesma um cara com uma arma artesanal apontava pra mim repetindo o gesto de que ia atirar a qualquer momento, foi uma das piores sensações que eu já senti, estranho que a primeira imagem que veio a minha cabeça era a visão da minha família ao redor de uma cama de hospital, nem sei dizer porque. Imaginei também na hora que o sujeito estava me confundindo com alguém e estava ali esperando sua vítima passar para assim fazer seu “serviço” e comecei a gritar repetindo: “Calma… Não sou eu cara, Calma, calma… Não atira pelo amor de Deus, ta me confundindo com alguém”. Acho que só deu tempo de repetir umas 3 vezes, juntando minha gritaria e o fato dele estar de capuz eu notei que não estava entendo o que ele estava falando. Quando me calei entendi que ele queria que eu largasse a mochila. Pedi calma mais uma vez descrevendo o que ia fazer e soltei a mochila no chão. Foi tudo muito rápido (essa frase é clássica, mas é a pura verdade). O estranho é que meu amigo que conseguiu fugir e ficou no meio da praça tentando chamar a atenção de 5 vigilantes que estavam na frente do shopping (que nada fizeram até então) sentiu muito mais medo que eu, não querendo classificá-lo de medroso ou coisa assim. Até porque a situação foi realmente assustadora, mas é aí que mora o estranho. Eu me altero com facilidade e acabei não me desesperando e não me apavorando, só me descontrolei depois com os vigilantes. A sensação ruim que citei acima não era medo, era alguma coisa que misturava autocrítica e entrega. Inexplicável e entranho no último.

Na mochila um CD-RW, um caderno e o celular. O bandido falou uns palavrões me mandando ir embora, corri em direção a entrada do shopping onde estavam os tais vigilantes e lembro que no nervosismo acabei falando cada porcaria pra eles, pelo fato de não terem reagido, talvez tenha sido o melhor a fazer. Mas falei tanto que acabaram indo atrás do cara. Uns 10 minutos depois ouvimos 2 disparos e depois de um tempo os vigilantes apareceram com minha mochila com o compartimento maior aberto, onde estava o caderno todo molhado e sujo de lama, mas não perdi nada demais graças a Deus, Ala, Zeus ou qualquer outra energia parecida.

Enfim, o cara fugiu deixando minhas coisas para trás. Estou vivo, bem, aprendi mais uma e a única coisa que perdi foi uma bandeirinha do Brasil que estava levando para minha sobrinha, até agora não sei se a deixei cair ou se estava na mochila e o sujeito a levou para torcer na copa. :)

Você é Desenvolvedor ou Designer?
Leia o blog do VTEX Lab, núcleo de inovação para ecommerce da VTEX. Também escrevo por lá. :)

  • Eu só fui assaltado uma vez, levaram um boné, faz alguns anos já.
    Realmente a pior coisa é saber que você fica impossibilitado de reagir, isso é foda.

  • A única vez que apontaram arma na minha direção foram os simpáticos policiais do GOE. Pior do que ter medo de morrer, é o medo de morrer e ainda falarem que você era bandido. Também foi depois de longas horas trabalhando.

  • Meu Deus!!!
    Deve ser um trauma terrivel.
    Meu namorado foi assaltado na estrada, passaram algumas horas apontando armas para eles e no fim foram largados no mato… eh uma experiencia que ninguem merece nem vai esquecer.
    mas ainda bem que foi tudo bem.
    E com certeza Raissa prefere o tio bem bandeirinha do Brasil :)
    Se cuida, garoto.
    Beijus

  • Cara … passei por isso recentemente e sei como é foda essa situação.

    Perdi o celular e a minha noiva perdeu a bolsa com tudo dentro. Do lado de um vigilante de uma loja de carros que também não fez nada. Pior foi esperar 1 hora até a polícia chegar e dizer que vai “dar uma volta” pra ver se achava. Até hoje.

    No final das contas eu não reagi, comprei outro celular mais legal, minha noiva renovou os documentos e o bandido deve tá morto, preso ou um dia estará se continuar nessa vida.

    Sei que parece papo de conformista, mas o que importa é que a gente (nós e você) continua vivo pra contar a história.

    Oque eu tiro disso tudo é que a gente fica mais alerta e mais revoltado.

  • Pois é… Complicado mesmo!

    Já fui assaltado assim, por dois pedreiros… Roubaram o meu relógio.

    Porém, outras duas vezes, roubaram equipamentos da minha banda, nos lugares onde a gente tocava… Primeiro, na casa da vó do guitarrista, roubaram a guitarra dele, pedaleira do outro cara e a mochila dele…

    Por causa disso, acabamos nos mudando pra um apartamento e, novamente, roubaram a guitarra (do mesmo cara) e uma mesa de som… Haja azar né?

  • Em que cidade voce mora?

    Eu moro em Sao Paulo, fui assaltado 6 vezes ja.
    Nas primeiras vezes, fiquei com medo também, depois da terceira eu já estava até “acostumado” e achava normal ser assaltado.

  • Que doidera!

    Quando fui assaltado o cara colocou uma arma no meu peito e pediu meu tênis e meu relógio.

    Tirei o tênis e deixei no chão, quando o cara se abaixou para pegar o tênis, deu vontade de reagir e encher ele de chute, afinal, quando ele se abaixou ficou numa posição linda para eu dar uma cotovelada nas costas dele. Mas ai tinha um outro cidadão numa bicicleta e deixei quieto.

    Quando o maldito colocou a arma no meu peito e anunciou o assalto, vi a minha vida toda passar nos meus olhos numa fração de segundo.

    O importante é que não aconteceu nada mais sério. \o/

  • @mauricio takahashi: esse é o grande problema disso tudo, se as pessoas se acostumam a coisa se integra a seu cotidiano e aí fica complicado pra todo mundo, é assustador. Eu moro em Limoeiro, interior de PE.

  • Por isso que você não aparece mais no gtalk né? rsrs.

    Cara, passei por situações semelhantes na minha curta vida em SP. Duas vezes. Por sorte, minhas pernas são mais ágeis que meu cérebro é inteligente. Poderia ter tomado alguns tiros já…

    Não tenho raiva nem fico inconformado com a situação desse pessoal. Eles são levados a fazer isso desde pequenos, quando convivem com adultos que já o fazem.

    O problema maior acontece com aqueles que sabem o certo, podem fazer o certo, e ainda assim roubam, não prejudicando apenas um cidadão ou uma família, mas milhares.

    Esses sim são os verdadeiros malfeitores, o resto, ou seja, os “pé-de-chinelo” que assaltam a nós ocasionalmente na rua, são apenas conseqüência natural da alta concentração e desvio de capital causada por quem está no poder…

    …e financiada por nós mesmos.

  • infelizmente ja passei por isso tb e é bem isso que vc falou, passam várias coisas pela cabeça no momento que vc tem a sensação de ser baleado a qualquer momento devido ao nervosismo do bandido… a sensação de impotência em ter sua vida na mão do cara deve ser a pior sensação que ja senti em toda minha rélis vida… o marginal levou meu celular e me deixou o trauma de a cada vez que saio a noite ou fico meio sozinho em alguma rua, sempre ter o cuidado de ficar olhando para trás e para os lados com a sensação de ser seguido… muito foda, o pior de tudo é que essa sensação não passa, ela somente diminui…
    fica tranquilo que o pior ja passou… []’s :)

  • Não pode-se fazer muita coisa numa hora dessas, fazer o que eles mandam e depois se puder [como você fez] mandar algum segurança ou policial na cola do cara ligeiro bem, do contrario ja era… So educação poderia mudar isso de verdade

  • Cara, isso é um lixo!!! Nós trabalhamos, pagamos impostos e esses vagabundos e viciados pensam que podem fazer o que querem…
    Sou a favor de grupos de extermínio, pois alguém (que não seja a polícia, devidamente uniformizada) tem que fazer a limpeza…
    Abraços e agradeça a Deus por estar vivo.

  • Cara, aqui em BH eles fazem muito isso, mas em geral com mulheres e idosos.

  • Deve ser uma situação nada confortável. Felizmente eu nunca passei por isso, mas imagino a cena. Ainda bem que você tá bem, digo fisicamente mesmo. Abraço!

  • Assalto dá mesmo uma sensação de impotência, e você se pergunta porquê Deus permite que um trabalhador honesto dê tanto o seu suor pra conquistar alguma coisa, pra depois algum marginal vagabundo levar embora num piscar de olhos…

    Mas daí você se lembra que te sobra a saúde e que com ela você reconquista tudo o que perdeu. Eu já fui assaltado duas vezes e não quero que a experiência se repita nunca. A gente aprende com os erros. Eu peço sempre a Deus que me proteja, mas também rezo pra que o problema de segurança nesse país seja um dia finalmente resolvido…

    Abração!

  • Cara, antes de responder tua crônica preciso dizer: eu adoro o design do teu site, deve ser o blog mais lindo que eu já visitei!

    Com relação ao assalto, a melhor coisa foi não ter reagido mesmo, foi os vigilantes terem sido pamonhas. É muito fácil morrer ou, no mínimo, ser ferido numa situação dessas gratuitamente.

    Só passei por uma situação de assalto, mas no fundo, no fundo, os caras me fizeram um favor, ao levar um celular que já não me servia mais, só me incomodava, e que eu estava querendo trocar há muito tempo, mas não tinha coragem de desembolsar. Na verdade “os caras” é um pouco forçado, porque quem me assaltou foi um grupo de crianças, o mais velho devia ter no máximo uns 13 anos, e quem fez a ação que me levou a ser assaltado foi justamente o menorzinho, que não tinha mais do que 7 ou 8.

    Lembre-se de Niezsche: o que não me destrói me faz mais forte.

  • O pior é saber que vc corre o risco todos os dias, e q na hora em q vc mais precisa, policia nenhuma aparece no caminho… :P

  • 2 disparos??? Quem atirou? O cara ou os seguranças?

    Que doidera…

  • Josué Borges

    É em Bh acontece mesmo, me roubaram o celular e mais 65 reais, só que em minas ninguém faz nada só fica olhando, bando de lerdo UAAAAIIIIIIIIIIIIIII SÔOOOOOOOOOOOOOOOOO

  • Também moro no interior. De Minas. E fui assaltado também. Um celular apenas.

    Isso é realidade em todo Brasil. Basta ter cuidado e não dar mole. Infelizmente, só isso que podemos fazer.

    P.S.: tá show teu layout

  • Arturo

    Oi amigos, em primer lugar sinto a situaçôes que vocês viveram (eu li tudas) é muito ruim e estou concordo com tudos vocês.

    Eu sou espanhol estive 3 veces no brasil (ribeirao preto e sao paulo) sou artista e as veces faço shows de humor no Brasil e sudamerica.

    No setembro de 2004 um taxi me deixou na praça republica as 2 da manha, (eu tinha o hotel perto de lá) eu ia vestido bem elegante pois vinha e fazer meu show da Vila Olimpia,nao uso relogios nem coisas de ouro, etc, mais minha roupa era elegante. Os caras da praça republica começaram a mim olhar, eles ian com chinelos com coisas na mao, mais eu girei a cara de repente e fiquei com minha cara seria e caminhando rápido. Nao aconteceu nada! Eles desistiram.

    Eu tive muitos pontos pra ser assaltado, mais pensei que a melhor seguridade esta em nos mesmos.
    Nunca foi assaltado no brasil graças a Deus, mais meu estilo de vida e normal, nao uso relogios, nem cameras de fotos, nem celulares sofisticados, guardo sempre as coisas de valor no interior da calça bem oculto. E sempre e bom levar 10 reais de nada em caso de urgencia pra entregar a um malandro que vaja embora, ou se nao façam como uma amiga minha, se fiz a muda….e o cara fugiu.

    Abençoes pra tudos. Arturo. Deus proteja sempre vocês e nunca nunca nunca nunca nunca sejamos assaltados mais.

Sobre

Nascido em 1984 é Desenvolvedor Web autodidata desde 2002. Hoje especialista em Design da Informação pela UFPE é Designer na equipe de UX no VTEX Lab (núcleo de inovação para ecommerce), da VTEX.

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