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Publicado em 7 de Mar de 2006 às 21:45

A Web Woman

A um dia do 8 de março, dia internacional da mulher, fiquei pensando no papel da mulher na Web hoje. Esse mercado de trabalho, espaço para expansão social, meio de comunicação e entretenimento. Na web brazuca pelo menos, temos o triste costume de herdar muitos elementos da TV, principalmente o que há de ruim. Pior: o que é ruim na TV fica ainda pior na grande rede. Dizem que 90% da programação televisiva é voltada para elas, mas quando mulheres são o conteúdo as participações mais notórias na TV aberta são aquelas tendo o corpo como centro das atenções, na web isso se agrava pela liberdade e diversidade de conteúdo, acabam ainda mais comparadas a objeto. Basta uma busca no Google pelo termo mulheres e os primeiros lugares falam por si. Isso torna ainda mais difícil a tarefa daquelas que querem se destacar sem o uso do corpo.

Web Woman?

Super heroína Web Woman

Super heroína Web Woman

Longe do que se cultua nos influentes canais de televisão, algumas mulheres lutam por seu espaço e enxergam na internet o território ideal para alcançá-lo, pela liberdade e por não haver as diferenças físicas entre os membros. Algumas usam a internet como uma grande oportunidade de mostrar seus valores, e aproveitam para ajudar a derrubar os já desgastados “labels” de frágil, objeto e inferior. Num mercado predominantemente masculino elas conseguem seu destaque.
Pense: Quantos sites administrados por elas você acompanha? Desses, quantos tratam as coisas de forma séria? Não necessariamente assuntos técnicos, mas que pelo menos não ache que a vida é um gif animado. Não sobram muitos, não é? Poucas decidem se expor, mas são essas notáveis o exemplo da Web Woman, não a desconhecida heroína do The Super 7 que apareceu sombra da Spider-Woman, mas aquela mulher que assim como fez em outras áreas, invadiu a web para se expressar e também tomar o espaço que a pertence nela como mercado em meio a grandes nomes masculinos.
Quando penso em profissional web feminina, o primeiro nome que me vem é Simone Villas Boas. Com seu blog e projetos ela virou uma grande referência para os colegas, independente de sexo, e acabou virando também símbolo da Web Woman. Nada melhor do que saber da própria WW pensa sobre seus valores na grande rede.

Rápida Entrevista

Conversei com ela por e-mail e aqui está o resultado:
Quando você achou que a web seria seu local de trabalho? Como tudo começou?
Estava estagiando em programação visual numa revista em 1996 quando passei a ter acesso Internet em casa. Convenci o editor a fazer uma versão on-line da publicação e ele me deixou por conta disso. Cuidei da infra-estrutura, arranjei um curso para nós, registrei um domínio .com.br, tudo. Desde então, fora um curto período que trabalhei com finalização de vídeo, não fiquei longe da Web. Sou absolutamente apaixonada pela rede.

Quem é a sua grande inspiração como profissional?
Impossível citar um só! Ultimamente, ando fascinada com o modus operandi da 37Signals e da The Robot Co-op, entre outras empresas Web 2.0. No Brasil, são vários profissionais que tive a oportunidade de trabalhar ou estudar lado-a-lado como Spark, Vicente Tardin, Robson Santos, Renata Zilse, Danilo Medeiros, ou virtualmente, como Elcio e Diego, do Tablelesss. Fora tantos outros que admiro só de longe, como Bruno Torres, Lívia Labate, Louis Rosenfeld, Jeffrey Zeldman, até mesmo Jacob Nielsen. Meu blogroll é imenso.

Na sua cabeça há alguma explicação para o fato da mulher ainda ser minoria como profissional web?
As mulheres não são minoria na produção, e sim na chefia de projetos. Há algumas delas que, apesar de talentosas e competentes, não conseguem promoções para cargos administrativos. É uma tendência do ser humano valorizar o que é semelhante, não diferente. E o modo de trabalho das mulheres é bem diferente de o dos homens.

Nas suas experiências nessa área, pelo fato de ser mulher, você já encontrou algum tipo de preconceito ou hostilidade por parte da grande maioria masculina, considerando colegas e clientes? Aconteceu algum fato engraçado?
Várias vezes fui o alvo ou vi casos de assédio moral e sexual acontecendo ao meu lado. E nunca são engraçados. É desagradável quando você é preterida a um cargo ou para um projeto interessante, mas pode ser pior quando se é obrigada a deixar a empresa porque tem que se submeter a um homem. Estas coisas, felizmente, são raras em agências de Web, mas não nas empresas da Velha Economia. Mas, não se iluda, em ambientes onde a maioria é feminina ou o chefe é uma mulher, tudo isso também podem acontecer.

Acha que as coisas seriam diferentes se nomes como Bill Gates, Steve Jobs, Larry Page, Sergey Brin fossem femininos?
Não apenas mudando o gênero dos grandes chefes. Muitas mulheres agem e pensam como homens para conseguir e se manter no poder. No processo, perdem várias características de gerência feminina que funcionam muito bem no mercado de desenvolvimento tecnológico, como as visões humanística, sistêmica e contextual .

Qual a sua opinião sobre a atuação da mulher no mercado web atual?
Apesar de o mercado não estar recheado de nomes femininos nas manchetes, não raro são as mulheres que mantém muitos projetos na linha, tanto em desenvolvimento quanto em design e conteúdo. Equipes mistas, onde mulheres possuem o mesmo poder que homens e os dois trabalham juntos, funcionam muito melhor e moveram alguns dos melhores projetos que participei ou acompanhei. Suas visões do trabalho são complementares.

E as expectativas para o futuro?
O gerenciamento de pessoas no mercado Web é inovador mesmo dentro da área de desenvolvimento científico e tecnológico, onde as mudanças estruturais ocorrem mais facilmente do que em outras indústrias. Podemos citar o teletrabalho, a flexibilidade de horários e a pessoa-empresa como realidades concretas. O que precisamos agora é de mudanças na legislação, que diminua a burocracia e ofereça benefícios concretos para trabalhadores e empresários. Quanto ao preconceito e o assédio, há pessoas que nunca mudam, mas é de pequenos gestos individuais que se faz a evolução da sociedade. É nisso que trabalhamos todos os dias.

Simone ainda agradeceu! Não Simone, não precisa agradecer, nós é que agradecemos por tudo que aprendemos com mulheres brilhantes como você.

Você é Desenvolvedor ou Designer?
Leia o blog do VTEX Lab, núcleo de inovação para ecommerce da VTEX. Também escrevo por lá. :)

Sobre

Nascido em 1984 é Desenvolvedor Web autodidata desde 2002. Hoje especialista em Design da Informação pela UFPE é Designer na equipe de UX no VTEX Lab (núcleo de inovação para ecommerce), da VTEX.

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