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Publicado em 28 de Feb de 2007 às 00:02

Vamos discutir privacidade?

Esse texto é o fruto de um experimento que fiz com o gravador de voz do meu MP3 Player. Enquanto tentava fazer um piloto para um podcasting sem compromisso acabei descobrindo que minha voz e raciocínio não só continuam ruins como pioraram, então achei melhor transcrever as reflexões. :)

The Machine is Us/ing Us

Esquecendo o já alto nível de zoom dos softwares de mapas online, suponhamos que amanhã fosse anunciado upgrade para o Google Earth com o recurso de visualização em tempo real, tudo ao vivo. Seria um misto de Second life, Orkut/Myspace e Big Brother onde todos aqueles que passam o dia “trabalhando de vigilantes” de scrapbooks agora se ocupariam bisbilhotando a porta da casa ou mesmo o local de trabalho do sujeito e isso não só mudaria nosso comportamento, mudaria a publicidade, segurança pública e a vida como um todo.

Os primeiros passos para um possível Google Earth ao vivo já começaram. A idéia do Plazes é, no maior estilo “colaborativo 2.0” com a ajuda do próprio “vigiado”, saber por onde andamos. Mas esse cenário do Grande Irmão previsto por muitos eu não vejo acontecer nem breve e nem nunca. Primeiro porque esse não é o objetivo do software de mapas 3D do Google, segundo porque o recurso não passaria uma semana no ar. A empresa de Mountain View seria devastada de processos judiciais de todas as partes, responsabilizada por atos de terceiros e nunca mais seria a empresa que conhecemos hoje. O que me chamou a atenção foi que, numa das aulas de Informática, Informação e Internet o professor não só levantou a hipótese do Google Earth ao vivo como ratificou dizendo que isso irá acontecer, susto maior foi ver vários colegas concordando com ele. O que se passa na cabeça das pessoas?

Eu não deveria estar tão surpreso assim, afinal brasileiros são hoje por volta de 75% da população do Orkut onde a maioria das pessoas, de forma aberta a qualquer cadastrado, marca aquela cerveja do final de semana, cinema, festas sem se preocupar em momento algum com a coisa mais importante hoje depois da informação: a privacidade.

O poder da informação centralizada

Seria mesmo uma boa idéia concentrar todos seus e-mails pessoais e profissionais num domínio de uma grande empresa que vasculha as mensagens para apresentar publicidade relacionada ao conteúdo? Ou centralizar todos documentos e planilhas com informações sigilosas da sua empresa? Preencher um perfil com todos os seus desejos e interesses ou participar de comunidades que revelam muito dos seus gostos? Essa concentração de informação na mão de duas ou três empresas com poder de capital monstruoso, sabendo o que você gosta e tendo a sua ajuda para organizar tudo isso não parece ser a melhor idéia de privacidade que tenho, e o objetivo aqui não é causar pânico.

Depois de toda a revolução tecnológica e considerando o que ainda está por vir não há dúvidas que estamos no momento de repensar, além de outras coisas, privacidade assim como o ótimo vídeo Web 2.0 … The Machine is Us/ing Us alerta. Está na hora de reconsiderar se a concentração de informação e convergências, resultados da declarada missão do Google, além de facilitar nosso acesso a conhecimento não vai longe demais no quesito invasão de direitos e poder concentrado. Será que já não passou da hora de discutir isso?

Você é Desenvolvedor ou Designer?
Leia o blog do VTEX Lab, núcleo de inovação para ecommerce da VTEX. Também escrevo por lá. :)

  • Parece que a ficha a respeito da privacidade ainda não caiu para a maioria dos brasileiros. O sujeito vai lá, se cadastra no Orkut junto com a família toda, entra na comunidade da faculdade que ele estuda, do bairro que mora, do banco que tem conta, da empresa que trabalha, dos lugares que frequenta, etc, etc, etc… Marca uma cerveja pelo Orkut e deixa o telefone de casa pra qualquer um dos milhões de cadastrados e depois não sabe porque é vítima de sequestro relâmpago na porta de casa, os famosos trotes de sequestro e outros crimes.

    A sorte é que ainda tem muito bandido burro, porque é possível acompanhar a vida de muitas pessoas pelo Orkut e ter informações precisas sobre tudo que ela faz, quando faz, etc.

    A maioria não entende que colocar essas informações na internet é quase igual colocar num outdoor.

  • Concordo com o Vinícius, ainda falta muito para a maioria evoluir neste quesito… O pior é que não adianta, mesmo a imprensa martelando as pessoas não sacaram que a coisa é série, de verdade…

  • Interessante seu argumento. Eu, particularmente, nunca havia pensando por este lado. No entanto não vejo problema algum em ter conta de email no Google, ou ser cadastrado em X ou Y serviço do Gooogle ou qualquer um outro serviço com base em Web 2.0.
    Convenhamos, este pilar pode sim pender para o lado o qual você deixou claro no texto mas dá para usufruir bastante dele sem causar nenhum mal a sí mesmo. Mas eu concordo que não vale a pena concentrar toda a informação em um único local, e que até determinados serviços não tenham necessidade alguma, e geralmente estes são os que mais expõe informações do usuário.

    Como você disse o Google, por exemplo, não deixaria que um serviço gratuito dele interferisse no poderio da empresa por meio de processos judiciais oriundo de terceiros, nota-se que não é uma empresa burra. Então derrubar ela sem uma causa muito justa ninguém iria conseguir também. O que resta é a sociedade educar-se no que usa e como usa.

    E isso… sinceramente, não vejo futuro. Basta passar alguns minutos navegando que você logo nota o quanto a população brasileira negligencia o que é importante, acontece em todo lugar, mas aqui onde tenho campo de visão, posso afirmar que a minoria é quem tem consciência e cautela na hora de pisar em um solo novo qualquer.

  • Isso é uma mistura de má interpretação da democratização da internet com absoluta falta do que fazer.

    Essas pessoas, na grande maioria, são leigos. Aprenderam sobre internet nesse mesmo cenário que você descreveu. Acreditam que seja assim mesmo que a coisa funciona e sentem que precisam fazer parte disso.

    Acredito que de nada adianta discutirmos o assunto. As pessoas, no fundo, QUEREM isso. E algumas até pagariam.

    Não é à toa que programas como Big Brother fazem sucesso. Certa vez um dos apresentadores afirmou que a emissora recebeu 40 milhões de ligações! Essas pessoas, provavelmente, estão quase todas enfiadas no Orkut e pouco se importam com privacidade.

  • Anônimo… Não precisa do serviço “y” ou “z” Basta digitar meu nome no Google para saber que passei em tal universidade ou que trabalho com programação. Todos os meus trabalhos podem ser encontrados em qualquer site de pesquisa.

    Você pode até ver as fotos das minhas férias.

    Recebo spams e fishings diáriamente, acho que sou um cidadão cybercidadão normal.

  • Penso nisso também…

    O Google, com o número de informações que possui, tem um poder muito, mas muito grande em suas mãos.

    Imagine, só no sistema de busca, saber o que as pessoas querem, o que procuram, imagina o quanto não valeria se fossem vender para alguma empresa para saber a preferência dos consumidores, etc… Dá pra saber coisa demais só pelos dados do sistema de busca.

    Agora, imagine com um Orkut da vida entre outros serviços, o que não pode ser feito?

Sobre

Nascido em 1984 é Desenvolvedor Web autodidata desde 2002. Hoje especialista em Design da Informação pela UFPE é Designer na equipe de UX no VTEX Lab (núcleo de inovação para ecommerce), da VTEX.

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