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Publicado em 5 de Jun de 2010 às 18:35

Google Font API é uma ótima idéia para o próprio Google

Dependência, precisava iniciar com a palavra-chave deste texto. Para entender melhor você terá primeiro que conhecer duas histórias: a origem do sucesso do Microsoft Windows e a da App Store da Apple. Na época em que Bill Gates criou a Microsoft com o objetivo de alugar a licença do Windows, foi importantíssimo que a concorrência achasse que o aluguel de software doméstico nunca daria certo, enquanto o público achava isso uma vantagem e enchia o bolso do Gates de grana. Já no caso da App Store, a Apple usa sua vantagem técnica no mercado móvel para criar tendências tanto com os desenvolvedores, quanto com os usuário; dessa forma vai moldando o mercado e engolindo a concorrência. Nos dois casos vemos duas gigantes aproveitando oportunidades num determinado mercado e plataforma para gerar dependência. O Google está fazendo isso neste exato momento e sua plataforma é a aberta e sem dono Web. E eles conhecem bem essas características e também sabem como ganhar dinheiro com isso (como ninguém hoje sabe).

Junte essa expertise do Google ao fato dos Desenvolvedores Web serem criaturas mal entendidas e que não estão acostumados a terem coisas fáceis e que funcionam logo de primeira. A demora na finalização de novos padrões como o HTML5 e CSS3 e a medonha era do Internet Explorer 6 falam bem do nosso sofrimento. Então, crie um ambiente lindo para esses carentes e eles serão seus escravos. Não quero pagar de profeta do apocalipse da liberdade na Web, mas o Google está criando essa dependência e parece que ninguém está vendo.

O que o Google Font API tem a ver com isso tudo?

Por que a gente só usa Verdana, Arial, Helvetica, Tahoma, Trebuchet MS? Com a limitação técnica de alguns browers (Firefox até pouco tempo não aceitava embedded fonts) e problemas com licença de uso das fontes, ficamos dependentes dessas famílias que já vem instaladas nos sistemas operacionais mais populares. A questão é que o Google está usando um problema para o qual já existe solução para ganhar poder por meio da dependência.

Trocando limitação por limitação + dependência

A solução do Google para nossa limitação de escolha é um diretório de fontes opensource tão limitado quanto as opções que usamos hoje. Imagine um cenário onde grandes sites começam a usá-las. Isso vai influenciar os menores e só serve para criarmos um novo leque de “fontes padrão”. E o pior de tudo é que a nova pasta C:\Windows\Fonts será um dos servidores da empresa de Mountain View. Eu sei que podemos baixar as fontes e apontar o link do @font-face para a pasta do projeto, mas é exatamente aí que o Google usa sua estrutura e popularidade para criar a vantagem do cache e bancar de bom moço. O mesmo acontece quando ele oferece seus servidores para criar um cache de arquivos JavaScript de frameworks famosos, como o jQuery. É uma ótima iniciativa para projetos pequenos, porém realmente queremos usá-la em grandes sites de nossos clientes, deixando-os dependendo dos servidores de uma empresa já tão dominante?

Na minha opinião o único problema que o Google resolve no caso das fontes é o de licença de uso. Eu realmente não acho uma boa idéia começar a usar essas fontes em projetos comerciais usando o @font-face com link nos servidores do buscador. Nós podemos muito bem continuar otimizando nossos próprios servidores e criar nosso próprio repositório, centralizando as fontes que mais usamos em nossos projetos. Não teremos a vantagem da disseminação que os servidores deles tem para criar cache nas máquinas dos usuários, mas pensando bem um arquivo de fonte com 30 ou 40k é bem menor que muita imagem que usamos nos nossos sites. É só não exagerar e fugir do grande irmão.

Você é Desenvolvedor ou Designer?
Leia o blog do VTEX Lab, núcleo de inovação para ecommerce da VTEX. Também escrevo por lá. :)

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  • por Muniz
  • Web

  • @remorato

    Ótimo post,
    Concordo com o ponto de vista!
    A questão de “bancar o bom moço” criando uma dependência!

  • Eu ainda prefiro as tradicionais, mais acho que sou conservista.

Sobre

Nascido em 1984 é Desenvolvedor Web autodidata desde 2002. Hoje especialista em Design da Informação pela UFPE é Designer na equipe de UX no VTEX Lab (núcleo de inovação para ecommerce), da VTEX.

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