Pular links da navegação e ir direto para o conteúdo

Publicado em 19 de Mar de 2007 às 06:00

Layoutzinho para clientezinho

– Bem, só tem mais uma coisinha pra hoje. Um layoutzinho simples, coisa simples mesmo. O [BP]logotipo[/BP] vai ser enviado por e-mail, uma foto de impacto e fonte bonita resolvem. Terminando é só mandar uma imagem ou PDF.
– Mas…
– Ah, não precisa dedicar muito tempo, é só para ver se conseguimos a conta do cliente com uma proposta visual.
– Mas…
– Em uma hora dá pra entregar isso?
– Sim…

Wires

Quem não conhece uma história de [BP]agência web[/BP] como essa pode atirar em mim, moro na Madalena em Recife. :) A vontade de ganhar a sangrenta batalha do mercado pela conta do cliente usando uma proposta que literalmente encha os olhos é o grande motivo para essa prática. A prática da proposta visual pode até dar certo e pegar um desavisado, porém vai resultar em algo errado numa ou em todas as fases do projeto; a agência e freelancer são sempre os maiores prejudicados. Por que não dá certo? Eu explico.

Tempo

Um dia inteiro já não é suficiente para fechar um wireframe ideal, imagine fechar um layout às pressas feito sem as informações dos produtos ou serviços e sem um estudo da [BP]arquitetura[/BP] da informação do site… Isso já seria o suficiente para considerar uma furada completa. A identidade de um website não nasce em uma hora ou em um dia.

Em todas as [BP]metodologias[/BP] bem sucedidas a criação é sempre a parte com folgas nos prazos por ser a mais trabalhosa e delicada. Há outros casos específicos em que a aplicação do design pode ser a última coisa feita por questões de prioridades. Então por que “layouts de 60 minutos” servirão para pegar um cliente?

Alto Risco de rejeição

Uma proposta de identidade feita às pressas pode não só fazer perder o cliente como ofendê-lo por transmitir uma imagem errada da empresa, produto ou serviço dele. E a probabilidade de não agradar é muito alta, muito mesmo.

Perda de tempo/dinheiro

Ao criar a tal proposta visual você vai trabalhar de graça para um cliente que geralmente ainda vai conhecer e fará sabendo que é muito provável que o cliente não vai gostar do que será mostrado, ou seja, perda de tempo/dinheiro.

Se um cliente aceita uma proposta visual do site do qual a agência nem sabe qual o objetivo, ou tem um [BP]parafuso[/BP] a menos ou não entende nada do negócio dele. Isso significa uma grande dor de cabeça num futuro próximo para as duas partes e a perda do cliente quando ele notar que o investimento não deu retorno. Mas até lá a equipe vai penar muito com um site inconsistente fazendo ajustes solicitados que não têm lógica e perdendo tempo com retrabalho constante, tempo que poderia ser aproveitado em outro projeto mais bem elaborado.

O cliente não entende de Web? Nem você de dentes

Chegar numa reunião com uma proposta visual de um site que você nem sabe o objetivo é como ir ao dentista e encontrar uma prótese pronta para sua boca mesmo que você nunca tenha estado naquele consultório. Quando questionado, o dentista vai dizer: ah, mas dente é dente, boca é tudo boca. E enquanto ele está dizendo isso eu estaria indo para consultório mais próximo.

O quadro onde o cliente não entende muito bem a Web, mas já leu sobre suas maravilhas e decidiu investir é muito comum. Aí a agência ou o freelancer acredita que o que deve ser mostrado para ganhá-lo é a estrutura do site já pronta para receber o conteúdo que ainda será enviado e isso não é outra coisa a não ser loucura. Algumas vezes a tal proposta até agrada, mas quando o site vai receber as informações a estrutura simplesmente não funciona para aquele conteúdo e objetivo específico. Resulta em mais horas perdidas para fazer um novo layout que agrade o cliente novamente, agora para estrutura ideal. Além de anti-produtivo para a criação é desgastante, principalmente para o atendimento. Com o freelancer o desgaste é ainda maior porque ele provavelmente também faz o atendimento.

E se o cliente pedir?

A melhor coisa que um profissional web deve fazer é não tratar o cliente como bobo ou ignorante. Numa primeira reunião, não importa o que acontecer, ele estará ali pedindo ajuda e é obrigação do bom profissional orientar da forma mais didática possível o que é preciso para que o investimento num website dê retorno, deixando claro que a proposta visual não seria bom para o projeto nem para o bolso dele e é basicamente isso que diferencia os “sobrinhos” e “ferramenteiros” dos bons.

Você é Desenvolvedor ou Designer?
Leia o blog do VTEX Lab, núcleo de inovação para ecommerce da VTEX. Também escrevo por lá. :)

  • Perfeito o texto. Se eu fosse um cliente e uma agência (seja web, de publicidade, assessoria de imprensa ou o que for) chegasse para mim com algo pronto sem nem ao menos antes saber quais são meus objetivos, eu ficaria bastante desconfiado.

    Quem já passou os olhos no diagrama da Garret sabe que o layout é só a casca, a camada superficial de um trabalho muito mais profundo que é projetar um site.

    Quem trabalha assim deveria repensar se não está queimando o filme quando comparado ao modo de agir de outras agências e/ou profissionais freelancer.

  • Elianderson

    Jura que isso acontece em
    empresas e agências web?!
    hauahauahauahauahauahuahau
    muito bom o texto, muniz!

  • Geralmente as agências vem do mundo dos impressos e entendem como “natural” a investida na web, como simples, como fazer um cartaz qualquer e jogar na internet. Cabe ao profissional, funcionário da agencia ou freelancer, impor uma postura correta de trabalho e educar o cliente e a própria agência.

  • É complicado, pois a pressão do pessoal de vendas para agarrar o cliente a qualquer custo é enorme, mas você realmente tem razão: é muito arriscado. O desconhecimento e ansiedade de ambos (vendas e cliente) colocam você, desenvolvedor, como alguém que está caminhando para trás e não quer pegar o serviço, fazendo corpo mole.

    Não defendo essa postura, mas já acompanhei de perto 2 casos onde a apresentação de um layout, baseado numa breve avaliação técnica das necessidades de navegação e conteúdo do site do cliente foi determinante para a contratação do trabalho, vencendo uma concorrência contra outras propostas similares. Foi arriscado? Sim. Foi um tiro no escuro? Não totalmente. Fechou por sorte? Não sei ao certo, afinal, cada caso é um caso e não dá para generalizar. Nestes que acompanhei, as expectativas dos clientes coincidiram com a versão inicial da proposta e a seguir o atendimento conseguiu tomar as rédeas do relacionamento com o cliente, tendo assim êxito em manter o que foi proposto durante a execução do trabalho, sem alterações consistentes.

    De qualquer forma, ajuda bastante passar ao cliente a imagem e segurança de que você está diposto a fazer uma imersão no negócio dele, de modo a entender o que ele necessita e, após esse aprendizado, ter condições de propor a melhor solução para tal. A conquista da confiança do cliente é o que importa e é preciso tomar cuidado para que ela não seja abalada por propostas de layouts precipitadas e quaisquer outros argumentos venvidos como panacéias a ele.

  • @Zé Carlos,
    Muito obrigado pelo seu depoimento. Ele serviu para tirar o ar de “verdade absoluta” que esse meu artigo tem, e é o primeiro texto que escrevi com esse perfil no meu blog. Apesar do objetivo principal não ser impor uma verdade e sim abrir a discussão.
    Agradeço mais uma vez.

  • Opa, primeiramente gostaria de dizer que apreciei o seu blog, estarei assinando o feed ;)

    Agora, ao post… achei uma coisa interessante no texto. Você postula que a atitude de apresentar um layout (proposta visual) aos clientes é, digamos, o modo porco de trabalhar.

    Em contrapartida, o povo do 37signals postula no ‘Getting Real’ (http://gettingreal.37signals.com/ch01_What_is_Getting_Real.php) que “(…) Getting Real starts with the interface, the real screens that people are going to use. It begins with what the customer actually experiences and builds backwards from there. This lets you get the interface right before you get the software wrong.”

    Muita gente segue a filosofia do ‘Gettting Real’, acredito que você também simpatize com o texto. O interessante constraste criado então é: ser ágil e iniciar o desenvolvimento de um site pela interface é uma vantagem (de acordo com o ‘Getting Real’), mas apresentar essa interface ao cliente como proposta é uma desvantagem, correndo o risco de desaprovação imediata e perder o cliente.

    Seria isso a diferença entre o mercado brasileiro e o ‘outro’ mercado no qual participa a 37signals?
    Como você resolveria esse conflito de idéias?

    Abraço!

  • @Henrique C. Alves
    Como falei no artigo, há alguns casos onde o design do site não é prioridade, estava exatamente me referindo ao Getting Real que começa tudo pela interface, mas sem dar prioridade a um visual bonito, com tipografia trabalhada, fotografias trabalhadas… Foi isso que quis dizer. E é esse o objetivo da tal proposta visual: fisgar o cliente pelo atrativo da beleza duvidosa de um layout feito às pressas.

    A Getting Real prega que você comece tudo pela interface, mas é usando a simplicidade como base, então fazer um HTML bem estruturado com um pouco de CSS básico já seria considerada uma interface simples e usável, o que é totalmente diferente da prática que é assunto principal desse artigo.

    É como o Zé falou, cada projeto é um caso, apesar de eu não aceitar o fato de criar uma interface sem saber os objetivos do cliente em alguns raros casos isso dá certo, mas o que meu texto tenta passar não é um absolutismo e sim dizer que se você ouvir o cliente e fizer um planejamento mesmo que simples é muito mais provável que a coisas corram bem e você ganhe mais tempo/dinheiro.

  • Parabens. Excelente texto. Entrou pro meu deli.cio.us :)

  • Muito bom esse post Rodrigo. Tem muita verdade e acontece com muita frequência.
    Mas como já foi colocado em discussão, cada caso é um caso. Existem alguns casos que fazer um layoutzinho na doida podem dar certo, exemplo do Zé Carlos ae.

    Mas na maioria das vezes, acredito que para não ter prejuízo, retrabalho e outros problemas. O projeto deve ter um bom planejamento.

    Abraço.

  • Me identifiquei bastante com a situação “fictícia” relatada no post; recentemente, fiz um trabalho com prazo “para ontem” para um cliente, e às vezes fico pensando se era melhor ter recusado… a quantidade de retrabalho que isso gerou fez o $ recebido se tornar ínfimo (já era muito pouco), diante do stress e noites mal-dormidas.

    Falando nissom, com licença que preciso terminar!

  • Pingback: Coisas que clientes e seus sobrinhos que cobram barato não sabem at Emanuel Felipe .NET ()

  • Pingback: Layoutzinho para clientezinho « Vamos por partes [Cap. Tudo que eu falo por aí..] ()

  • Aprovado e vivenciado o fato de briefings incorretos, pouco caso de Layoutzinho e sisteminha.

    Hoje a interface é um fator imprescindível para estruturação de um sitezinho ou sisteminha, não só pelo fato da qualidade de gráficos, imagens e um ótimo design, mas aspectos de usabilidade para calcular esforços físicos e cognitivos dos usuários durante o período de tempo que estiverem em relacionamento com a interface.

  • Pingback: Blog da Visie.com.br » Blog Archive » Layoutzinho para o Clientezinho ()

  • Parabéns pelo post, passei e com frequência empresas até de médio porte solicitam um layout para testar nossa capacidade de trabalho, aliás se tem uma coisa chata por exemplo é o site do Catho de empregos, toda vez que entra com a vaga WEBDESIGNER vem aqueles questionários de empresas que não conhecem as funções ou então acham que para aplicar psicologia de comportamento basta uma meia dúzia de perguntas.
    Ai entra uma questão, não basta um ótimo portfólio ou para quem está começando sua formação acadêmica ou até mesmo sua determinação, sim porque nem tudo é arte e sim perseverança!
    Valeu pelo post! Massa!

Sobre

Nascido em 1984 é Desenvolvedor Web autodidata desde 2002. Hoje especialista em Design da Informação pela UFPE é Designer na equipe de UX no VTEX Lab (núcleo de inovação para ecommerce), da VTEX.

Saiba mais