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Publicado em 22 de Dec de 2008 às 06:00

Por que a indústria do entretenimento não vencerá a Internet

Depois de ler essa notícia no G1, fiquei pensando em como ainda é possível existir tamanha resistência da indústria do entretenimento para entender que a coisa mudou, já que fica tão claro que o problema não está na Internet e sim no modo usado pela indústria de oferecer diversão hoje, que não se adequar ao modo como isso tudo é consumido por nós mortais.

É comum ler notícias sobre pirataria pela Internet de músicas, filmes, games e programas de TV, porém pouco se vê notícias sobre como é fácil ter e dar acesso a cultura pela Internet e a razão disso? A falta de interesse dos grandes meios de comunicação que estão diretamente ligados à indústria do entretenimento, a qual não têm o menor interesse em mudar seu modelo de negócios para inovar como a Internet inovou o modo de consumo. Ou seja, a coisa se resume a interesse, falta de inovação e grana, muita grana.

Esse texto despretensioso não é apologia à pirataria ou a verdade absoluta, servirá apenas pra tentar abrir um pouco a visão das pessoas que ainda enxergam essa indústria da diversão como sendo onde os consumidores são agentes passivos, totalmente dependentes do que é oferecido por quem produz conteúdo. A Internet mudou isso, está mais popular do que nunca e não tem volta. É preciso primeiro aceitar, depois analisar e se adaptar usando diferenciais.

Exemplos de: aceitar, analisar e adaptar com diferenciais

Exemplo 1: A indústria de cinema. Corre à boca miúda que o filme Titanic nunca teria conseguido bater a marca de U$ 1 bilhão em arrecadação se fosse lançado hoje com todo esse acesso à informação, pois seria muito pirateado. Até concordo, mas não culpo a coitada da Internê. Fazendo uma pequena análise, você chega a conclusão que o principal objetivo de quem baixa filmes não é roubar, nem tirar empregos de milhares de pessoas, não é sacanear os atores, diretores e produtores; é simplesmente ter acesso ao conteúdo o mais rápido possível de forma simples e barata, com a melhor qualidade, resultando na melhor experiência. Pensou que a Internet é um ótimo lugar pra isso acontecer? Pensou certo. Mas o que a indústria cinematográfica faz além de ignorar esse potencial? Junto com os donos de salas de cinema aumentam os preços dos ingressos, não investem em tecnologia e estrutura das salas, atrasam os lançamentos de filmes que já estrearam em vários outros lugares do mundo e ainda depois de um tempo lançam cópias em DVDs sem extras e que chegam ao mercado custando os olhos da cara, numa mídia que não é tão durável quanto deveria ser. O problema realmente está na Internet?

Ir ao cinema é uma experiência única que ninguém em sã consciência troca por um release do aXXo. Investindo em novas tecnologias de som e imagem os cinemas podem criar a experiência que todos nós esperamos ao sair de casa para ver um filme, ou até mais com as salas em 3D (ai mora o maior diferencial que a Internê ainda não tem). Lançar mundialmente não é só sinal de respeito, é inteligência numa realidade onde só é preciso um telefone celular com conexão 3G para que uma imagem ganhe o mundo. No caso dos DVDs, quando compro um filme espero encontrar cenas que não vi no cinema, bastidores, entrevistas, curiosidades, legendas decentes e tudo mais que um colecionador adora. Na maioria dos DVDs recém lançados de R$50, eu não acho isso. Pergunto novamente: O problema realmente está na Internet?

Exemplo 2: A indústria fonográfica. Dizem que o mercado de música sofre muito mais com a Internet que o de cinema, o motivo é a tal da experiência que falei. Pra ouvir música não é preciso uma grande estrutura, então é difícil criar um diferencial certo? Se você estiver olhando com a visão do passado sim, mas isso pode ser visto como uma oportunidade. Essa falta de necessidade de grande estrutura nada mais é que flexibilidade que pode ser usada a favor de todos (artistas, gravadoras e fãs). E assim como nos filmes, a maioria das pessoas que baixa músicas “ilegalmente” não faz isso com objetivo de acabar com os artistas, só estão tentando consumir música da maneira que ele prefere, sem algemas (DRM tecnologias para impedir a cópia e reprodução de músicas em aparelhos não autorizados, seja lá o que isso quer dizer.) e querem compartilhar seu perfil musical com os amigos.

Quem consome música hoje quer ouvir no computador, no videogame, no ônibus, na academia, no trabalho, no jatinho particular, no banheiro, na fila da lotérica… Coisa que não acontece com o filme. Uma tal maçã já notou isso há alguns anos e hoje é líder mundial em vendas de músicas e tocadores digitais. E o que o resto da indústria faz? Considera todo e qualquer consumidor como potencial ladrão e investe pesado em DRM, Também joga no mercado CDs com média de 11 músicas por um preço impraticável em países mais pobres e sem os encartes bacanudos (nem as letras das músicas se acha mais nos encartes). Sem falar que as capinhas de CDs quebram no primeiro pum que a pessoa solta com eles nas mão e assim como outras mídias ópticas, arranham tão fácil que não há como pagar R$35 naquilo.

Há casos de artistas como a Marisa Monte, uma das minhas cantoras favoritas, mas sofre do mal da desinformação e tenta a todo custo pressionar a gravadora para embutir em seus discos softwares de “proteção” contra cópias que atrapalham pra caramba na hora de ouvir o disco no computador, ou na hora de indicar uma música a um amigo (atrapalhando na divulgação boca-a-boca do artista, álbum ou música). Coisa que não acontece com as cópias digitais baixadas em redes de trocas de arquivos. Será que não se tocaram que NÃO há tecnologia para impedir qualquer som de ser copiado, já que se é possível reproduzir, então é possível regravá-lo em qualquer formato que seja?

E os DVDs de shows? Os erros cometidos com os filmes se repetem; são lançados sem extras, sem legendas, ou seja, sem diferencial nenhum do conteúdo que eu consigo compartilhar no Youtube ou nas redes P2Ps. Faço a pergunta de novo: O problema está na internet? Claro que a resposta é não, basta saber quando a RIAA, a MPAA e a Marisa Monte vão descobrir isso e começar a aceitar que nós também temos interesses.  O Radiohead e Nine Inch Nails parece que já entenderam.

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Leia o blog do VTEX Lab, núcleo de inovação para ecommerce da VTEX. Também escrevo por lá. :)

  • Este é um assunto que pode render muito, me lembro de uma banda que lançou uma música demo “fake” na internet, com propaganda na música, a estratégia parecia boa, resultado é que por pouco a banda não foi linchada.
    A grande verdade é que uma banda já é explorada pelas gravadoras, o que ela precisa é de shows, só com os shows ela pode sobreviver por décadas, independente de mídias tradicionais.
    Agora foi a MTV que aderiu a nova mídia para vencer, ou pelo menos evitar o pior, frente a sua concorrente, a Youtube, sem falar do Papa que já tem seu canal.

Sobre

Nascido em 1984 é Desenvolvedor Web autodidata desde 2002. Hoje especialista em Design da Informação pela UFPE é Designer na equipe de UX no VTEX Lab (núcleo de inovação para ecommerce), da VTEX.

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