Pular links da navegação e ir direto para o conteúdo

Publicado em 23 de Jan de 2006 às 22:00

Porque acessibilidade vai além de questões de deficiência

Uma amiga veio reclamar que estava com problemas constantes de vírus no seu computador e não sabia mais o que fazer, pois o bom uso do mesmo não dependia só dela. Tentei explicar todo aquela história de não abrir links com arquivos com extensões .exe, .bat, .src de destinos desconhecidos. Ela entendeu, mas falou que tinha acabado de abrir um link de .exe que um amigo tinha mandando via Orkut em casa, e falou: Ah, mas não tem problema, já que não era de origem desconhecida mesmo. Por sorte, descobri por ela que o antivírus não tinha deixado passar. Ok! Expliquei então que o amigo provavelmente tinha sido vítima desse vírus que capturou a senha dele e enviou o recado pra todos os amigos para poder se espalhar, afinal sem isso ele não seria um vírus. Aí ela se desesperou.

Tentando ajudar

Pensei: Ela precisa de Linux? Perguntei então quais as atividades que ela sempre fazia no computador. Já que somos amigos ela abriu o jogo. Falou que lia e respondia seus e-mails, dava uma olhadela no MSN, fazia pesquisas pessoais e profissionais no Google, ouvia músicas e outras coisas básicas. Foi aí que falei: Minha cara, você não precisa do Windows Pirata! Ubuntu é a solução. Fui dar uma olhada no Windows e instalei o Firefox para que ela já fosse se acostumando com o programa mais importante do sistema, o browser. Ela achou incrível, adorou as novidades, principalmente as abas.

Como o computador era usado por muita gente, exclui todos os rastros possíveis de atalhos do IE e troquei o ícone do querido Firefox pelo do Internet Explorer e nomeei simplesmente de “Internet”, enfim expliquei tudo pra ela. Ela empolgou-se e queria saber mais do Linux. Falei das diferenças de interface dos sistemas, mas que ela iria se adaptar fácil. Falou que o tio gostava de jogar xadrez e alguns jogos de cartas no PC. Isso não era problema, até conversar com a irmã dela na última sexta-feira.

Sem poder de escolha

A irmã estava encucada porque o site onde ela consultava as notas da universidade (Federal de Pernambuco), apesar de sempre dar problemas, nunca tinha ficado “fora do ar” por tanto tempo assim. Foi quando ela me falou que recentemente começou a aparecer uma “mensagem de browser” dizendo que estava usando o programa errado. Ela ainda me disse que tinha procurado muito o que o site queria, mas não tinha achado o tal do Firefox. Daí me toquei em três coisas:

Primeiro – Ela não tinha entendido o que o site queria, na verdade o que a Federal queria é que ela usasse o Internet Explorer.
Segundo – A minha amiga não tinha explicado bem a irmã das mudanças para o Firefox. A irmã nem notou a diferença, simplesmente pelo fato do ícone ainda continuar sendo o mesmo “E” azul de antes.
Terceiro – E mais importante, estar acessível não é só estar com conteúdo disponível para dispositivos que ajudam os deficientes a ter acesso à informação.

Quer dizer que se um aluno, deficiente ou não, da UFPE juntar uma grana suada e comprar um computador, instalar o Linux porque é mais em conta, não vai poder ver suas notas nem fazer matrícula para o próximo semestre?

Bloqueio de sites é covarde

Do mesmo jeito que não concordo com os que bloqueiam sites pra usuários do Firefox, também não concordo com aqueles que bloqueiam seus sites para usuários do IE argumentando que ele é proprietário ou não segue os padrões web. Essa tática usada nos tempos de Netscape vs IE é hoje vergonhosa e covarde. Por mais difícil que seja desenvolver um bom site para o Internet Explorer, ainda há opções a serem usadas para deixar o site compatível com ele. Sem querer ser preconceituoso, mas é preciso encarar o Internet Explorer como um deficiente que ainda assim precisa da informação. Deficientes são importantes e no caso do IE, eles são maioria.

E quanto ao Safari, navegador do MAC? Apesar do preço ainda alto, o número de MACs cresce a cada dia pela qualidade do produto e alguns sites ainda quebram no Safari pelo motivo contrário ao do Internet Explorer: o Safari segue “bem demais” os padrões. Ele é tão proprietário quanto o Internet Explorer. E se um dia aquele estagiário crescer, estiver com seu escritório pronto e com seu MAC recém comprado e também suado e quiser acessar seus sites? Não vai poder porque é código proprietário?

Mas a grande questão é…

…Que quem escolhe o MAC sabe o porquê de tê-lo escolhido, quem escolhe o Linux também. Mas grande parte dos usuários nem conhece as outras opções, e a verdade é que a minoria escolhe o Windows, pois ele não é uma opção qualquer como as outras, ele virou padrão nos PCs. O que fazer então?
Por enquanto, concluímos sem Ubuntu na casa da minha amiga. O jeito foi pedir para sua irmã acessar o tal site, e só ele, pela barra de endereços de “Meus documentos”.

Você é Desenvolvedor ou Designer?
Leia o blog do VTEX Lab, núcleo de inovação para ecommerce da VTEX. Também escrevo por lá. :)

  • Gostei da idéia de mudar o ícone e o nome do FF. Eu faço diferente, falo:
    -De agora em diante vc usa a “bolinha de fogo” pra acessar os sites, ok?

    Até agora não deu problema com os convertidos..hehe!

    Obs: Problema com a sombra do site….fui clicar no “enviar comment” e nada, como usuário “experiente” vi que a sombra estava por cima do botão….mas alguém leigo poderia achar que os comentários estão bloqueados.

  • estranho… eu acesso o siga na boa do firefox.
    a única exigência é que não posso estar com mais abas abertas, pq ele tem alguém código javascript que não funciona bem se várias abas estiverem abertas.

    muito estranho ele não pegar ai!

  • eu mesmo estou usando um tema do WP que não roda no IE, aliás, pelo que vi na lista de discussão ele até roda, mas precisa configurar direito… sobre as pessoas usarem windows, isso acontece pq elas nem sabem que existem outras opções, aquele “técnico” meia boca de quem ela comprou o computador não vai colocar um ubuntu para ela pois ele vai ter trabalho na hora de dar manutenção, um amigo falando da namorada dele mudou para porto nacional no tocantins disse que o computador dela foi para lá com win xp, no primeiro problema o tecnico dela de lá colocou o win 98 por achar mais fácil de configurar, esse amigo estava me dizendo que todos fazem isso por lá… não acreditei, é claro… mas outro dia ela trouxe a cpu aqui para cidade e realmente o computador estava sem o xp, é mole! se houver um minimo de incentivo a usar o linux por ai as pessoas se acostumam a usar, só basta existir um mártir para isso :) []’s

  • Infelizmene o mundo está cheio de WEBMASTERS !

  • Limitar o browser é sujo e porco. Tem inúmeros sites que ainda não é possível acessar com o Firefox. Ainda existe o lado contrário, tem site que praticamente te “obriga” a largar o IE. Alguns esquecem aquelas mensagens sadias “navegue feliz e com segurança” e praticamente agridem quem usa IE! Digo isso porque no trabalho, infelizmente, sou OBRIGADO a usar o IE e já vi muita mensagem escrota falando para mudar.

  • Hahha a idéia de mudar o ícone foi show…
    Realmente deve enganar e evitar a primeira perguntar “Mais que icone é esse”
    Estou com o “Ubuntu” aqui, baixei e estou pensando em instala-lo no fim de semana…
    Também não curto as mensagem que diz que para navergar melhor use tal navegador… Cada uma escolhe o que quiser para navegar, com essas mensagens estão somente espantando os users.

    {s]s

  • Ale

    Oi Rodrigo!
    Estava eu passeando por aqui e usando o IE7, dai fui tentar abrir o UBUNTU e o IE se recusou, abri o firefox e funcionou na hora!!
    Concordo super com esse post!!
    Alias, estou adorando seu blog!

  • O SIGA, da dita UFPE, não só funciona no FIrefox, como é recomendado seu uso…Nunca tive problemas. Agora, de fato, barrar usuários é tática covarde e suja…Que o diga os capangas do englishtown.com.br

Sobre

Nascido em 1984 é Desenvolvedor Web autodidata desde 2002. Hoje especialista em Design da Informação pela UFPE é Designer na equipe de UX no VTEX Lab (núcleo de inovação para ecommerce), da VTEX.

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