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Publicado em 21 de Dec de 2005 às 15:36

Retrospectiva 2005 [parte 1:2]

Eu definiria como o ano de simplificar e compartilhar. E o que 2006 promete? Olhar o passado para entender o futuro é o lugar comum mais visitado entre os historiadores, analisar 2005 serviria para prever um pouco do que 2006 vai trazer? Há quem diga que 2005 foi tão importante que pode-se prever mais do que simplesmente 2006. Então vamos relembrar.
O ano em que a evolução dos web services ganhou nomes bonitos como WEB 2.0 teve exatamente essa evolução como destaque. Transformar a web em plataforma não era a novidade, a grande novidade era que isso estava e está sendo feito da forma mais simples possível. Fazer aplicações simples de usar, mais até que os programas e sistemas operacionais offline é o que caracteriza essa fase, ou versão, da web.
O que se esperava de 2005? Um estouro da banda larga e com isso as mídias ricas (leia-se Flash) teriam o terreno perfeito para se difundir e dominar a internet com suas cores, movimentos e piscadelas. Mas o que acabou acontecendo foi o começo da deturpação de quase tudo o que o Flash prometia como mídia rica por meio de uma simplificação desta.

2005, ano do Google e da Apple
by x180

Sem precisar de plugins proprietários o Gmail trouxe, além de seu então explosivo 1GB de capacidade, uma experiência rica e com todas as características fundamentais de sucesso na internet hoje: rapidez, simplicidade, flexibilidade, inovação e tudo isso sem precisar abrir nenhum IM ao lado do relógio do sistema ou gastar “apenas 2 minutinhos” para instalar o Flash Player. É certo que o Gmail surgiu em 2004, mas as mudanças que ele acarretou só foram claramente notadas em 2005. A grande ironia é que o rico era simples e eficiente sem perder o glamour e sem perder a tal riqueza. O JavaScript foi redescoberto notoriamente com a ajuda do Google e que sem nenhuma dúvida é a grande empresa de 2005. Gmail virou não só um exemplo de WEB 2.0, mas um dos grandes responsáveis pelo começo dela, mudando o conceito de webmail que antes era de perda de tempo e de última alternativa a clientes como Outlook.
Em 2005 o Google começou realmente a mostrar a que veio. Dominar o mundo? Não sei, mas se o seu objetivo era organizar toda e qualquer informação, por que não fazer isso com o próprio mundo? Organizar mapas e achar o que você quer neles virou febre entre as grandes empresas que depois do Google Maps e Earth mostraram ao mundo que se elas quiserem, em algum tempo você estará na janela de casa usando as super câmeras dos satélites como webcam particular. Exageros a parte, 2005 foi o ano do Google e suas inovações.
A empresa conquistou o Brasil não só com imagens de satélite, Gmail e buscas na web. “Meio sem querer” os brasileiros se viram aglomerados num serviço da empresa que agora tem nas mãos informações muito úteis de grande parte dos internautas brasileiros e que, enquanto eles decidem o que fazem com tanta informação, disputam quantidade de recados e estrelinhas de fãs com o mais novo amigo popular. Tirar foto agora é para colocar no álbum ou no perfil do Orkut, que virou “Orkút”, Gaia, Gazzag, Uolkut, UOL K

Flickr, compartilhar fotosFotografia digital essa que se popularizou desde 2002, em 2005 acabou revelando uma necessidade não só de se mostrar em fotologs e Orkut, era preciso que o mundo as encontrasse, organizadas de forma inteligente e simples. Para isso os flogs já não eram o bastante, para a tristeza de quem apostou numa cópia qualquer desses sistemas. Tanta concorrência entre eles, o que se esperava era um avanço, mas aconteceu melhor: uma equipe pensou em inovar, começaram do zero, esquecendo o conceito velho do fotolog e inventando o seu próprio conceito, o Flickr, que não é só um avanço do sistema de fotologs, é totalmente novo e que inclusive está sendo desastrosamente copiado pelos, agora velhos, fotologs.

Wikipédia, informação aberta e livreMas nesse ano, copiar também podia ser vantegem, contanto que você use, melhore e devolva melhorado, essa é a filosofia da comunidade do código aberto, compartilhar conhecimento. 2005 foi um marco importante para o código aberto e o software livre, nunca o movimento foi tão forte e nunca ganhou tanta força. Essa veio de vários lugares, desde um navegador inovador, Firefox, até uma enciclopédia online, Wikipédia, com conteúdo totalmente aberto e que virou referência até de pessoas que nunca ouviram falar em código aberto. Esse também foi o grande trunfo do Firefox que conquistou usuários que achavam que internet era o duplo clique no ícone azul da área de trabalho, que sequer tinham instalado um programa de computador e que agora conseguiram abrir a visão para uma questão fundamental: tinham liberdade para escolher e o ícone azul não era a única “janela” para a internet. De alguma forma acabou ajudando até o Linux. O OS ainda ganhou força com o apóio do Governo Federal e toda sua dramática empreitada da inclusão digital. Os governantes podem até não ter dado ao Linux o apóio esperado, mas ajudaram fazendo barulho e chamando atenção para o sistema. Juntar conhecimento de todos para todos é uma coisa que vai além de um Sistema Operacional ou uma enciclopédia aberta.

[2ª parte]

Você é Desenvolvedor ou Designer?
Leia o blog do VTEX Lab, núcleo de inovação para ecommerce da VTEX. Também escrevo por lá. :)

Sobre

Nascido em 1984 é Desenvolvedor Web autodidata desde 2002. Hoje especialista em Design da Informação pela UFPE é Designer na equipe de UX no VTEX Lab (núcleo de inovação para ecommerce), da VTEX.

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