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Publicado em 11 de Sep de 2006 às 02:31

Revolução musical na web

Navegando agora pouco pelo Last.fm pensei como a internet realmente mudou o modo como descubro novos artistas, uma revolução. Como eu fazia antes? Esperava a boa vontade de algum locutor mala numa FM chata dizer o nome daquela música que eu tinha ouvido há meia hora em meio a uma quantidade incrível de besteira e música ruim. Incríveis hoje são os artistas que conheci pela web que nem tocam e que mesmo assim conseguem lotar shows, vender discos (alguém ainda compra?) e música digital.
Talvez nenhuma mídia tenha sido tão afetada pelo impacto da internet quanto o rádio, o veículo resistiu bravamente à TV, mas parece que agora a cria de Guglielmo Marconi tem tanto valor quanto um apêndice.

ipod radio
Uploaded by fatcontroller

Jabá vs myspace

Antes a banda chegava numa rádio implorando para tocarem sua música porque tanto a Solange da periferia quanto o Dr. Carlos da zona sul iam curtir. A rádio pedia suborno por cada execução, a gravadora pagava, a banda era tocada, vendia discos para o cartola da gravadora que lucrava pra caramba, a rádio era ouvida e todos saiam felizes menos quem? A banda, que nunca quis depender de gravadora sangue-sunga e os ouvintes que ficavam sem opção só conhecendo os que pagavam o jabaculê.

A web mudou tudo, descobrir banda legal hoje em redes sociais é tão simples quanto ler e-mail. Ouvir rádio agora é ouvir stream de MP3 no myspace ou no purevolume daquela banda nova, que tal uma busca no blogmusik ou no YouTube? Você escuta a música que quer, na hora que quer.
Artistas com trabalho divulgado lotando shows, estações de rádio jabazeiras falindo, gravadoras sangue-sungas a beira de um colapso processando a torto e a direito, no caso ‘direto’ autoral. :)
É sim a verdadeira revolução musical.

A música digital não tem volta

Com o MP3 a portabilidade das músicas chegou num estágio ideal. Quem não conhece alguém que tenha um MP3 player? O CD não convence mais. É difícil imaginar alguém carregando caixas de discos de um lado para o outro, mesmo sendo uma coisa que acontecia recentemente.
Ao contrário do que a indústria fonográfica pensa, agora quem consome música digital não são só os ricos. O PC está acessível e o MP3 player começa a chegar na faixa de preço dos antigos diskmen. Porém artistas como Marisa Monte acham que podem moldar o mercado à sua maneira tentando colocar travas digitais nos seus discos para impedir a sua digitalização. Trava essa que só serviu para dificultar a execução em alguns aparelhos e que foi quebrada antes mesmo do lançamento do álbum. Quem perde é o próprio artista sem visão de mercado e que não enxerga o iPod na mão de seu público. Acaba sendo vítima de boicotes colocando seu trabalho em riscos desnecessários.

Em meio a tantas possibilidades que a música digital trás é complicado ver que artistas brasileiros não conseguiram explorar isso ainda. Salvo exemplos como Mombojó e Cansei de Ser Sexy, conhece mais algum bom nome descoberto graças à internet no Brasil recentemente? Enquanto isso lá fora explodem Franz Ferdinand e Arctic Monkeys explorando muito bem a web como meio de divulgação.

Os Podcasts

Esse sim parece ser o que faltava para o fim das rádios como conhecemos. Não demorou muito para alguém notar que alguma coisa delas faria falta e foi aí que entrou o Podcasting com entretenimento, informação e diversão. Os temas e autores são vários e o poder de escolha está lá onde sempre deveria ter estado: na mão do ouvinte. Esse que agora também pode fazer sua própria rádio.

Ferramentas

Além da Apple está a frente com seu iTunes há o projeto open source de um player específico para essa revolução, o Songbird. Apesar de ainda está em fase inicial já pode ser testado e já mostra que promete fazer barulho… Quando você entra num site com links para arquivos de áudio e vídeo eles são listado no rodapé do programa, que nada mais é que um navegador baseado no Firefox. O mais interessante dele é a forma como trabalha com playlists baseadas em XML e também a possiblidade de fazer o stream parcial de um arquivo. Você pode acessar um MP3 do site do Gui Leite por exemplo, ir lá para os 20 minutos do prodcast dele que o Songbird carrega o arquivo a partir dos 20min, e não o arquivo completo.

Conclusão

Com a onda dos podcasts, redes sociais de música na internet e stream de MP3 em iPod virtual, alguém ainda lembra do radinho la da cozinha?
Concluir mais o que? O rádio e o CD sucumbiram, faliram. Siga os links do artigo que tem uma revolução acontecendo aí, iminente e acessível.

Você é Desenvolvedor ou Designer?
Leia o blog do VTEX Lab, núcleo de inovação para ecommerce da VTEX. Também escrevo por lá. :)

  • Muito bom tocar nesse assunto.

    Há outras bandas brasileiras que apostam na Internet, como o próprio Raimundos que lançou seu último CD só na net (que eu saiba), Lobão, entre outras bandas mais regionais que ouvi falar por causa da Internet mesmo.

    Aliás, toco numa banda e apostamos totalmente na Internet para divulgação, por isso disponibilizamos nosso CD completo para download em diversas fontes.

    http://www.badongo.com/file/626096

    Aí tem o nosso CD completo, com as letras e tudo mais. Temos site no Purevolume, Tramavirtual, PalcoMP3, MySpace, etc.

    A Internet é isso aí… Muito artista menospreza e tenta reprimir isso, mas se não fosse o MP3, não conheceria quase nada do que gosto hoje em dia.

  • Rogério

    Legal o artigo, mas tem uma informação equivocada: quem inventou o rádio foi um padre de Mogi das Cruzes 20 anos antes do Marconi (!).

    Este link tem a história toda: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20060902161456AAu4akM

    []s

  • Jan

    Massa Rodrigo!

    Eu que adoro música, aumentei muito meu leque de artistas favoritos! Um hd de 40gbs já não está sendo suficiente pra tanto acervo musical independente que eu saio ouvindo por ai. Acho que os artistas só tem a ganhar distribuindo seus trabalhos na internet, quem é do contrário que se dane, vai ter MP3 baixada do mesmo jeito =P

    Radio nunca vai acabar eu acho, ela só vai evoluir pra algo mais moderno sempre, assim como a tv evoluiu.

  • Hueheue isso me fez pensar em algo… acho que logo o CD vai ser como o vinil: algumas pessoas mais saudosas vao fazer questao de ter os disquinhos em casa e ouvir no CD player… e com os olhos marejados, vao falar como a verdadeira musica ganah charme com aqueles chiadinhos :D
    Beijinhos

  • Além de fazer mal para a imagem do artista estas “travas não travam nada”, basta saber que programa usar. Tudo isso é muito relativo! O Metallica colhe até hoje os frutos de se revoltar contra o visionário Napster, Shawn Fanning, P2P, MP3, música digital e etc por pura bobagem!

    Está mais do que comprovado, para a maioria das pessoas, quando a música é legal e curte-se o artista, o CD é indispensável, mais cedo ou mais tarde vamos lá e compramos, não dá para ficar só no MP3.

    A internet só vem para ajudar a divulgar as bandas e suas músicas, todo mundo gosta e usa por quê remar contra a maré?!

    Só um adendo, por isso concordo com o Cardoso! Percebeu as diferenças de conteúdo entre o Wikipedia PT e EN das expressões que utilizou?
    Frequency modulation, Podcast e (por minha conta) Napster! Uau :)

    []’s

  • referente a ultima frase do texto:

    eu nao apoio o uso das coisas antigas não, mas apenas um levantamento: Se a pessoa quiser ouvir uma musica na cozinha sem ter aquele troço enfiado no ouvido e sem ter que ligar o pc? vai ter q por o iPod com caixinhas? um microsystem não seria melhor?…pra você ser mais claro pra nós podermos entender melhor, o que virá suybstituir estas coisas que você falou que iria sucumbir? por acaso o mundo é algo apenas virtual?

    GLUMMP!!

    Abraço brother

  • @Filipe: o texto não fala de mundo virtual nenhum, música digital é real e muito.
    Sobre seu argumento do system, é fato que MP3, WMA e integração com o PC já é diferencial hoje em todos os novos aparelhos de som e em breve não vai ser mais um diferencial, vai ser padrão. Ou melhor, aparelhos de som não vão mais predominar. A tendência é o media center, toda mídia da casa centralizada. O vídeo do seu casamento, as músicas de sua banda tudo num só lugar compartilhados com PCs, MACs, HDTVs, Home Theaters, aparelhos de som pela casa… É uma questão de tempo para termos isso como a coisa mais comum do mundo, assim como foi com o CD e o DVD com a vantagem de matarmos o volume material dos discos e termos mais comodidade para encontrar o que quisermos numa Biblioteca de mídia doméstica. É isso que a gente sempre busca: muita coisa no menor espaço possível.

    O Podcast já está substituindo o rádio e a grande força dele é que eu e você podermos criar nosso próprio podcast. Hoje quem consome conteúdo também faz, é a nova era das mídias.

  • Correto!
    estou adorando esse post porque música pra mim é tudo, desde um fator desopilante até um fator contribuinte para inspiração para criação artística.
    ——

    Pensei num fato agora:
    Sabemos que os avanços e a tecnologia andam junto com a questão chamada “QUALIDADE”. O que gostaria de atentar é ná questão do MP3 e seu bitrate ainda precário. Basta entrarmos um pouco no mundo de gravações e estudos do som para percebermos rapidamente que o MP3, apesar de todas suas maravilhas, ainda é um recurso fraco em termos de qualidade e limpeza sonora. Outro ponto importante é a qualidade dos equipamentos de som, que a cada dia mais reproduzem um som mais refinado e puro, evidenciando por consequência os defeitos do MP3 e o WMA também, visto que está mais abaixo do MP3 em termos de bitrate.

    O que se espera então é um avanço tecnologico no formato MP3. Porém isso resulta numa perda na melhor característica do MP3: o tamanho.

    Quando falamos em referência em termos ed qualidade bitrate pensamos no WAV. Mas comparando seu tamanho de arquivo com o MP3 se renderizado em 128Kbps, o MP3 possui 10% do tamanho do WAV.

    Bem é isso, apenas um acrescimo.
    Abraço

  • Muito legal td o q escreveste. Particularmente acho que daqui a alguns anos não vai mais existir rádio do modo que conhecemos hoje. Talvez tenhamos condições de, dentro do ônibus, escolhermos se queremos ouvir uma rádio daqui, do Japão ou da Rússia, ou até mesmo interagir com ela fazendo nossa própria programação. Tudo na hora, fácil, rápido.

  • Bem legal o artigo, parabéns.

    escrevi um post q é quase isto q vc disse, long tail é como a grande baleia, e acho q no fim a banda , público e indústria ainda podem lucrar junto.

    ahh, o link para o songbird é este

    http://www.songbirdnest.com/

  • Acauã B.

    Posso dizer que minha relação com a música vem de berço, sendo filho de músico luthier escuto e tenho uma relação forte com música de minhas lembranças mais antigas. Eu particularmente sempre odiei rádios, pelos motivos que você já citou e principalmente por não ter paciência de esperar longos comerciais entre sequências mínimas de música. Primeiro foram os tapes (vinis quem possuíam eram meus primos, não cheguei a tê-los apesar de lembrar deles na minha infância), depois pencas de cds e só então MP3. Tapes eram menores que vinis, mas tinham uma qualidade sofrível! Cds foram também uma revolução, eu sequer lembro quantos cheguei a ter no total, mas hoje sobraram apenas 50 divididos em três pilhas num cômodo do meu quarto (é praticamente ornamental, acho que tenho mais cds de backups velhos e programas do que de música). Eu copiei muitos cds de amigos e parentes, e aliás, amigos sempre foram uma ótima fonte de informação, porém pedir cds (em quantidade considerável) é desagradável. Para ter uma idéia a tampa do meu falecido diskman perdeu a cor de tanto que usei. Vieram os MP3 e eu deixei de precisar pedir cds emprestados, graças à internet e a Shawn Fanning pude ganhar liberdade! Meus amigos no máximo anotam num papel ou falam do MSN boas músicas que eu (e eles também é lógico) posso baixar sem grandes inconveniências. De vez em quando ainda levo o hd na casa de primos ou amigos próximos para copiar alguns gigas escapando das filas do emule. E sinceramente, comprei caixas melhores para meu pc, os sounds systems estão encostados a um bom tempo…

  • Pow cara, muito bom ver essa temática rolando. Essa galera que ver a internet como vilã para seus trabalhos não sabem o mercado que perdem. Hoje muita coisa é lançada apenas para internautas… a exemplo cds de bandas que querem subir rapidamente aos grandes palcos… Exemplo Móveis Coloniais de Acajú que além de ter seus cds a venda em lojas e na própria internet, sempre disponibilizou seus discos para download em seu site. A compra de cds ainda é grande, apesar dos valores, pois quando escutamos uma MP3 num site, numa webrádio, ou mesmo baixamos o disco num rapidshare da vida, queremos comprar o disco para incentivar a banda, para que a mesma continue produzindo seus materiais. Sabemos que tentar travar, criar mecanismos ou combater a “cópia” de alguma forma é algo bem falho, pois mecanismos como esses são tão fracos e falhos que rapidinho o disco antes de sair na loja já está na rede. Criar essa resistência para um público tão largo é muita burrice, pois gerará boicotes para o próprio artista, que estará arriscando sua carreira, por mais brilhante que seja, por um simples clique e um download.

    Ótimo artigo, parabéns.

Sobre

Nascido em 1984 é Desenvolvedor Web autodidata desde 2002. Hoje especialista em Design da Informação pela UFPE é Designer na equipe de UX no VTEX Lab (núcleo de inovação para ecommerce), da VTEX.

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