Acabo de chegar do cinema e o sabor do filme ainda na boca. Referências e imagens que vão ficar pra sempre na parte do meu cérebro reservada para a cultura pop.

ALERTA DE SPOILER - O texto não é indicado para quem ainda não assistiu ao filme e não quer saber o que acontece.
Minha animação preferida era Procurando Nemo, também da Disney Pixar. Até hoje, o nível de identificação com a personagem Dory deixava difícil o páreo para qualquer outra animação, eu disse até hoje.
Em WALL·E a Pixar não deu só um passo técnico gigantesco criando técnicas de animação que imitam a filmagem live-action, criou seu melhor personagem e um dos melhores da história do cinema sem exageros. O que chamou atenção é que ela também quebrou características marcantes dos seus filmes anteriores, como a de dar muito destaque a personagens secundários que muitas vezes são até mais carismáticos que o principal. Além da Dory, quem esquece do Sr. Cabeça de Batata do Toy Store, da Boo de Monstros SA, do Mater de Carros? O que chega mais próximo é o robô com mania de limpeza, M-O. Mas em WALL·E a Pixar apresenta um protagonista tão carismático e querido, que fica impossível qualquer outro ganhar tamanho espaço, e isso não é ruim. A mudança mais marcante é a de inserir personagens em live-action no meio animado. Outra mudança já vinha dando os primeiros sinais em Ratatouille, onde uma história de amor tinha grande espaço no roteiro, coisa que em WALL·E pode ser facilmente considerada por alguns a parte principal do conto.
Ratatouille também trouxe um roteiro mais sério que de costume, com algumas cenas direcionadas apenas aos adultos e em WALL·E isso se repete quando os roteiristas cutucam de forma nada sutil a sociedade moderna de hoje. Alguns pais a partir de hoje devem se informar melhor sobre as animações antes de levar os menores de 5 anos ao cinema, coisa que refletiu bem no choro dos pequenos do meio para o final da animação, inclusive atrapalhando no envolvimento com o final da história. Uma das minhas cenas favoritas é exatamente uma crítica, quando mostra dois humanos enormes de gordos - pai e filho - falando através de uma espécie de messenger espacial mesmo estando um ao lado do outro. A ironia fica em que é preciso um robô “invadir” essa sociedade para recuperar-se o contato humano.
As Referências

Meus elementos preferidos nas animações da Pixar são sempre os que fazem referência a outros elementos da cultura pop, e esse filme foi um deleite neste quesito. Completamente, espetacularmente, inoxidavelmente estourador de cabeças. Começa pelo som de inicialização do Mac quando o WALL·E é carregado, passa por Star Wars nos modelos das naves espaciais e música cantarolada pelo querido personagem no início do filme. As minhas preferidas envolvem o personagem AUTO, o piloto automático da nave. A referência clara à luz vermelha do computador HAL 9000 do filme 2001 - Uma Odisséia no Espaço, também do clássico de Kubrick vem a trilha sonora numa das cenas mais engraçadas, a que o comandante precisa se movimentar pra valer na cabine para enganar o AUTO. Contei várias outras referências, com mais duas a Apple: iPod e voz do software ledor de tela do Mac no personagem AUTO. Musical Hello, Dolly!, ET “home” :), referências ao movimento impressionista e artistas como Van Gogh e Renoir nos créditos finais e o Atari, além de aparecer nos créditos, também vem no Ping Pong jogado pelo robô. A referência a Bela Adormecida também é clara no “beijo” da EVA (EVE) e WALL·E.
Só a Disney Pixar conseguiria unir ficção científica, uma crítica fervorosa à sociedade, a magia Disney a uma grande história de amor e ainda criar um personagem tão incrível e fantástico sendo tão simples quanto maravilhosamente profundo. E a fofura do robô? Se você conseguiu ver o filme inteiro sem ao menos pensar em dizer um “aawwnn” eu lhe pago um viagem de ida e volta a Lua. Já é o melhor filme do ano, superando minhas expectativas que eram bem altas. E que venha Batman - The Dark Knight.
Algumas imagens:





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Leonardo Faria em 6 de Jul de 2008 às 21:48 disse:
vi o filme ontem e eu e minha namorada gostamos muito.
kadu em 6 de Jul de 2008 às 22:12 disse:
muito boa crítica =)
também fiquei impressionado com o filme, comprarei o DVD sem dúvida nenhuma! sai do cinema e fui direto na ri happy atras de um brinquedo do robozinho e não achei nada, mas no site deles já existe para comprar e, é claro, já garanti o meu =)
Muniz em 6 de Jul de 2008 às 22:38 disse:
@kadu O shopping que eu fui era bem pequeno, nem tinha loja de brinquedos. Mas que eu vou comprar o DVD e alguma miniatura, eu vou! Só não sei se agora… Você comprou pelo site internacional?
kadu em 6 de Jul de 2008 às 22:48 disse:
nada, site nacional mesmo http://ping.fm/Hc8Zk com o frete saiu 29 e alguma coisa, quase 30,00!
vai ficar em cima no monitor =)
kadu em 7 de Jul de 2008 às 00:08 disse:
aliás, sobre a referência a star wars, esqueci de comentar aqui e no meu post, o responsável pelo som do wall-e é o ben burtt, “só” o cara responsável pelos efeitos sonoros de star wars e de uma pancada de outros filmes =)
Walmar Andrade em 7 de Jul de 2008 às 08:00 disse:
Dois posts em três dias? Vai chover! heheh